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Violência no desporto - Quais as responsabilidades dos líderes e outros responsáveis de clubes?

Portugal tem estado no centro das atenções desportivas pelas piores razões. Vários atos de violência foram sendo registados ao longo das épocas desportivas das várias modalidades, passando por cânticos, troca de insultos e agressões físicas.
Os últimos casos de violência ocorreram com o final do campeonato nacional de futebol, associados a um clube que durante todo o ano procurou disputar a conquista do título de campeão nacional. A derrota no último jogo e a perda do segundo lugar permitiu a manifestação de alguns adeptos que aguardaram os jogadores da equipa no sentido de os ameaçar e com eventuais tentativas de agressão física.
Tentando compreender a violência manifestada pelos adeptos, tentamos entender estudos como a hipótese da emoção-instinto de Freud e Adler que influenciou uma investigação que permitiu a perfazimento de que toda agressão é sempre consequência duma frustração anterior. Culpa-se a sociedade, criadora de todos os desapontamentos. É uma teoria basicamente psicológica.
Numa teoria mais sociológica para expor a violência, na doutrina de Bandura e Walters a agressão é aprendida, assim como todo o comportamento humano é conhecido com a vivência e as inter-relações. Sendo assim, se compreende o homem como resultado do meio, manipulado pelo meio envolvente, levado à conduta criminosa pela cruel sociedade.
Nesta teoria sociológica, entende-se que o delinquente acaba por impregnar-se do que o rodeia, reproduzindo comportamentos, manipulado, especialmente, pelos media.
O Tratado nº 120 da União Europeia, que considera a violência como um “fenómeno social atual de grande envergadura cujas origens são essencialmente exteriores ao desporto, e que o desporto é frequentemente o palco de explosões de violência”, indo de encontro à ideia de que não é inerente ao espetáculo desportivo mas que o espetáculo serve de pretexto para as manifestações de violência.
As claques são uma das marcas da violência no desporto. A enorme maioria dos acontecimentos narrados com violência em recintos desportivos. Estas, bastantes vezes impelidas pela exaltação cega ao seu grémio e pela determinação em apoia-lo incondicionalmente, têm posturas que em nada beneficiam os espetáculos. As claques, têm sido nos anos antecedentes o expoente máximo da violência.
Face ao quadro jurídico desportivo em Portugal, todos os clubes que possuem claques organizadas devem estar registadas no Instituto Português do Desporto e da Juventude. Esta obrigação legal aproximou as claques e os seus líderes dos clubes e respetivas direções, levando à criação de gabinetes que visam a proximidade dos membros das claques aos jogadores, que muitas vezes coadjuvam na programação das atividades desenvolvidas no decorrer das competições em que cada clube está envolvido, etc.
O Presidente de cada uma das direções clubísticas e os mais destacados membros dessas direções, pelas posições que ocupam no seio dos clubes, são membros respeitados, relevando uma supremacia sobre os membros das claques.
Com base nas teorias psicológicas e sociológicas supra mencionadas, o que se pretende aqui perceber é:
O que podem fazer os membros das direções clubísticas para evitar atos de violência como os que têm sido expostos no desporto?

Qual a responsabilidade destes, nos atos de violência executados pelos elementos de claques?

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