Ontem, enquanto
participava no evento Sport Business Talks, sobre Empreendedorismo, Desporto e
Nutrição na FADEUP - Faculdade de Desporto e Educação Física da Universidade do
Porto ouvi em vários momentos, várias pessoas dizerem ou a aconselharem os outros
a pensar "fora da caixa". Think outside the box.
A origem da
expressão “Pensar fora da caixa” é desconhecida, mas muito provavelmente é um
termo de origem da língua inglesa e que de forma mais livre significaria
“pensar sem estar amarrado a ideias convencionais”.
Segundo a
história, os grupos de consultoria em administração nas décadas de 1960 e 1970
começaram a usar um quebra-cabeça específico chamado “quebra-cabeça de nove
pontos” de um livro de 1914 de Sam Lloyd chamado Cyclopedia of Puzzles. Eles
apresentariam o diagrama abaixo, com as seguintes instruções:
"Una todos os 9 pontos usando quatro linhas retas ou menos, sem levantar a caneta e
sem traçar a mesma linha mais de uma vez."

A solução mais
citada aparece abaixo. Utiliza apenas 4 linhas.

Pensar fora da
caixa é dispensar restrições; o maior número possível. É o que a solução acima
faz, e é isso que é o tipo mais eficaz de pensamento original e inovador também
faz.
Dizem alguns
artigos por aí que para os empreendedores, o pensamento lógico e analítico é
essencial para sobrevivência do empreendimento. Mas não é suficiente. Cada dia
mais as lideranças empresariais estão dependentes da inteligência emocional para
garantirem o envolvimento e engajamento das equipas com as metas e,
consequentemente, com o sucesso dos projectos.
Pesquisas com
empreendedores comprovam que eles têm vindo a trabalhar os seus cérebros de forma
diferente do convencional. Eles usam os dois hemisférios cerebrais ao mesmo
tempo, de maneira espontânea. E quando falamos em hemisférios cerebrais estamos a falar exactamente do cérebro que está dentro da nossa "caixa" craniana.
Nos meus
momentos de partilha e aprendizagem ouvi um dia um professor amigo dizer que
ninguém pensa fora da caixa e eu concordo. Na verdade as soft skills, que mais
não são que as nossas competências, são intrínsecas. As soft skills são os
atributos pessoais de cada indivíduo, assim como os traços da personalidade,
habilidades sociais e de comunicação que são inatas e ou aprendidas e aperfeiçoadas.
Então a minha
opinião, correndo o risco de estar errado, é que não devemos pensar fora da
caixa, devemos sim inspirarmo-nos fora dela nos melhores exemplos de sucesso e
utilizando as nossas competências e todas as nossas capacidades, ocuparmos todo
o cérebro, que como qualquer estrutura do corpo, é um órgão que se treina e tem
sempre espaço para melhorar o seu desempenho dentro desta nossa caixa a que eu
chamarei de "Brain" em vez de "Box".
Miguel Silva
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