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Depressão - A condição psicológica que abala atletas de alto rendimento

Antes de iniciar a escrever sobre o tema, devo esclarecer que não sou expert sobre questões psicológicas e/ou mentais e que este texto foi construído com base em artigos sobre vários atletas de alto rendimento.
Faz todo o sentido escrever sobre a depressão no desporto quando percebemos que aqueles que são os nossos ídolos desaparecem da ribalta de um momento para o outro sem que percebamos o porquê de tal acontecimento e logo num momento em que tudo fazia crer que conquistariam muitos mais triunfos e dariam satisfações aos seus adeptos.
A depressão é uma das doenças mentais mais comuns a nível mundial e, segundo uma estimativa da Organização Mundial de Saúde, em 2015 atingia cerca de 322 milhões de pessoas. Os principais sintomas da depressão incluem tristeza, choro fácil, retirada e evitamento do contacto social e das atividades habituais, alterações de apetite e de peso, fadiga e falta de concentração. Sobre a população alvo da depressão, um estudo aponta que os atletas não têm uma tendência maior a sofrer depressão, mas demoram mais tempo a procurar tratamento por se acharem "invencíveis". Vistos pela sociedade como física e mentalmente aptos, os atletas representam o pilar da saúde e bem-estar – estas projeções e expectativas neles depositadas tornam mais difícil a procura de ajuda.
A nível do desporto cada vez mais a excelência é requisito essencial na formação do atleta – o nível de competitividade está em constante crescimento o que leva a um elevado desgaste quer físico, quer mental.
Os atletas de alto rendimento estão em risco de vir a sofrer de depressão dado, não só à elevada pressão, mas também às expectativas (quer individuais, quer da equipa), mudanças de clube, lesões, ficar no banco – estes momentos críticos podem desafiar a auto-estima e sentido de competência do atleta, contribuindo para o aparecimento dos sintomas acima referidos.

Muitos atletas passam anos a preparar-se para uma única oportunidade (uma ida aos Jogos Olímpicos, por exemplo) – a preparação intensa, o treino diário e a adaptação do quotidiano para ir de encontro às necessidades que o desporto de alto rendimento impõe passam a dominar a vida do atleta. Após esse evento específico, um atleta pode ter dificuldade em reintegrar-se numa rotina que não se foque exclusivamente no desporto e ficar deprimido se não estiver preparado para esta transição.

O caso mais mediatico talvez seja o do super-campeão de natação Michael Phelps. Com a conquista de 28 medalhas, 23 delas de ouro em natação. Com crises depressivas pós-competição, Michael Phelps lutou contra os pensamentos e tendências suicídas voltando a conquistar medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Nas palavras dele “Desde que comecei a falar é como se a vida ficasse… fácil. Ou melhor, mais fácil. porque não estou a guardar todas as coisas aqui dentro, sou capaz de me abrir e sinto-me confortável a falar do que sinto. É-me cada vez mais fácil falar dos problemas pelos quais passei. Para mim o segredo foi começar a comunicar, a falar sobre as minhas lutas, pedir ajuda. Eu nunca tinha pedido ajuda, nunca, e acho que parte era pelo medo da rejeição”.
Em Portugal, foi a triatleta Vanessa Fernandes talvez o nome mais sonante a sofrer com a depressão que a levou a suspender a sua carreira desportiva em 2011 com 25 anos de idade, depois de ter conquistado a medalha de prata em Pequim. Segundo o psicólogo Sidónio Serpa, quando os jovens entram num processo de alto rendimento,"a especialização ainda é maior, deixa de existir tempo para socializar, para os amigos. Nessa transição tende a existir uma processo de reorganização social. É aqui que acontece a maioria dos abandonos". A gestão da carreira, a forma como o atleta se envolve no alto rendimento e as pressões sociais criadas por familiares e amigos são factores determinantes para um abandono precoce."Nos atletas de alta competição a origem social pode ser importante. A redução da vida a essa prática é altamente redutora. A inexistência de outras actividades paralelas pode provocar problemas aos atletas que quando falham no desporto falham na vida".
Também no futebol e no país do futebol Nilmar, Pedrinho, Fenômeno, Cicinho e Thiago Ribeiro sentiram o efeito da depressão, quase destruindo as promissoras carreiras desportivas nos seus clubes. A doença é transversal a todas as modalidades desportivas como demonstram também Diego Hypólito na ginástica, Rafela Silva no judo ou Joanna Maranhão na natação.
O desafio que agora se coloca é, o que fazer para proteger os atletas de alta competição de todas as pressões que conduzem à depressão?

https://www.dn.pt/desporto/interior/da-gloria-a-depressao-num-penoso-caminho-dos-jovens-campeoes-1776880.html
http://tribunaexpresso.pt/modalidades/2018-04-19-Michael-Phelps-e-a-luta-contra-a-depressao-Chegou-a-um-ponto-em-que-nao-queria-estar-vivo
https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/09/19/eles-tiveram-depressao-e-medalharam-como-atletas-lidaram-com-a-doenca.htm
https://perfeito.guru/estes-grandes-nomes-das-olimpiadas-tiveram-de-superar-depressao-e-venceram/
https://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/depressao-nilmar-pedrinho-fenomeno-cicinho-e-thiago-ribeiro-falam-tudo.ghtml

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