Avançar para o conteúdo principal

(Des)Igualdade de género na atribuição dos prémios desportivos

Quantos de nós já vibramos com as conquistas desportivas de atletas femininas que fizeram tocar a "Portuguesa" nas maiores competições nacionais?
Recordemos os feitos desportivos de Rosa Mota, Aurora Cunha, Fernanda Ribeiro, Patrícia Mamona, Susana Feitor, Inês Henriques e outras, só para falar no atletismo. Telma Monteiro no judo ou portuguesas a brilhar no estrangeiro poderíamos falar de Ticha Penicheiro na WNBA americana, a única estrangeira a brilhar entre as 10 melhores jogadoras do campeonato WNBA. São inúmeras as mulheres que fizeram os nossos corações vibrarem de emoção e encherem-nos de orgulho.
Com tantas conquistas, começou-se a perceber a diferença na atribuição dos prémios aos atletas masculinos e femininos, a descriminação e segregação das atletas femininas. E porquê essas diferenças? Fazem sentido?
Querendo-se que o desporto seja promotor de igualdade, a verdade é que tal não acontece. Como exemplo encontramos na revista FORBES, entre os 100 atletas mais ricos, apenas 2 mulheres.
Vejamos o que é a realidade mundial em termos de rendimentos para voltarmos novamente a Portugal
Futebol 
Masculino: Cristiano Ronaldo - €83,1 milhões

Feminino: Alex Morgan - €2,8 milhões
Ténis 
Masculino: Roger Federer - €64 milhões

Feminino: Serena Williams - €27,3 milhões
Basquetebol 
Masculino: LeBron James - €29,2 milhões

Feminino: Diana Taurasi - €1,4 milhões
Voleibol 
Masculino: Bruno Rezende - €550 mil

Feminino: Yeon-Koung Kim - €1,2 milhão
Golfe 
Masculino: Rory McIlroy - €46,7 milhões

Feminino: Lydia Ko - €5,5 milhões
MMA
Masculino: Conor McGregor - €20,7 milhões                                    Feminino: Ronda Rousey - €13,2 milhões 


Em Portugal, no ano de 2012, uma Resolução da Assembleia da República, recomenda ao Governo que "[a]dopte todas as medidas necessárias à eliminação das desigualdades nos prémios desportivos (gender gap)", no contexto da "tomada de medidas de combate às discriminações entre mulheres e homens nas competições desportivas" (Resolução da Assembleia da República n.º 80/2010)
E Portugal volta a ser um exemplo entre a igualdade de géneros, com a aplicação de legislação que visa a igualdade, desde logo através da Constituição da República, no seu artigo 79.º que refere que todos os cidadãos têm direito ao desporto, devendo-se, também nesse âmbito, assegurar a aplicação do princípio da igualdade de todos os cidadãos perante a lei (não discriminação em razão do sexo), também ínsito na nossa Lei Fundamental, concretamente no artigo 13.º, e bem assim, no artigo 2.º, n.º 1 da Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto (LBAFD); O artigo 2.º, n.º 2 da LBAFD diz o seguinte: "[a] actividade física e o desporto devem contribuir para a promoção de uma situação equilibrada e discriminatória entre homens e mulheres".
Na prossecução deste trabalho de igualdade o V Plano Nacional para a Igualdade de Género, cidadania e não discriminação, que o Governo português aprovou para o horizonte temporal 2014-2017, em que se afirma que "(…) a actividade desportiva pode constituir-se como uma aposta de elevado valor estratégico para a construção de uma sociedade pluralista, participativa e igualitária" e se define como objectivo a "eliminação da segregação do género na prática das modalidades desportivas" (Resolução do Conselho de Ministros n.º 103/2013, de 31 de Dezembro; Área Estratégica 2 – Promoção de Igualdade entre Mulheres e Homens nas Políticas Públicas").
A aplicação e o respeito de todas estas normas acabam de sair de uma esfera generalista para a competência específica da Administração Pública Desportiva, através do seu Instituto Português do Desporto e Juventude, que nos seus Estatutos diz que compete ao Departamento de Desporto daquele instituto "(…) estimular e apoiar a execução de projectos que tenham como finalidade o reforço da participação das mulheres (…) na prática do desporto."
Portugal é o oitavo país mais velho do mundo, foi dos primeiros países do mundo a abolir a pena de morte, está agora também entre aqueles que reconhecem a igualdade de género no desporto, contribuindo para a promoção do desporto entre as mulheres, que a Alta Performance deseja que seja um exemplo para os países da CPLP.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

A responsabilidade dos media no estado actual do futebol português

Na conferência de imprensa após o final da Taça de Portugal que colocou frente a frente o Sporting Clube de Portugal e o Desportivo das Aves, num jogo vencido por este última equipa, José Mota, treinador do Desportivo das Aves, criticou duramente todos os orgãos de comunicação social por terem apenas como único foco o Sporting Clube de Portugal e tudo o que o envolve, desde adeptos, equipa técnica, equipa directiva, etc. O técnico português do Desportivo das Aves disse: " Acho uma falta de respeito como nos trataram, finalista com todo o mérito. Sou português como todos os outros, sou português de primeira ". Não me admiraram os comentários mas surpreendeu-me a demora com que foram ditos. Sendo amante de todo o desporto na sua generalidade recordo-me velhos programas do tempo em que só existiam dois canais públicos, e que no primeiro canal aos domingos à noite havia um programa chamado "Domingo Desportivo" que falava de todos os jogos da primeira divisão do camp...

Depressão - A condição psicológica que abala atletas de alto rendimento

Antes de iniciar a escrever sobre o tema, devo esclarecer que não sou expert sobre questões psicológicas e/ou mentais e que este texto foi construído com base em artigos sobre vários atletas de alto rendimento. Faz todo o sentido escrever sobre a depressão no desporto quando percebemos que aqueles que são os nossos ídolos desaparecem da ribalta de um momento para o outro sem que percebamos o porquê de tal acontecimento e logo num momento em que tudo fazia crer que conquistariam muitos mais triunfos e dariam satisfações aos seus adeptos. A depressão é uma das doenças mentais mais comuns a nível mundial e, segundo uma estimativa da Organização Mundial de Saúde, em 2015 atingia cerca de 322 milhões de pessoas. Os principais sintomas da depressão incluem tristeza, choro fácil, retirada e evitamento do contacto social e das atividades habituais, alterações de apetite e de peso, fadiga e falta de concentração. Sobre a população alvo da depressão, um estudo aponta que os atletas nã...